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Sequência: A casa na rocha, a raposa e o pulo do elefante – Parte 1 de 3

Sequência: A casa na rocha, a raposa e o pulo do elefante – Parte 1 de 3

Observação: Este artigo faz parte de uma sequência que se propõe a discutir em três partes a relação entre Administração de Marketing e Inteligência Artificial. Recomenda-se a leitura em ordem, portanto, para ler a segunda parte, clique aqui.

Uma antiga metáfora diz que quem dá ouvidos às palavras de instrução é semelhante ao homem que construiu sua casa sobre a rocha. Vieram as dificuldades, as tempestades e a força da natureza, mas a casa permaneceu de pé porque tinha uma base sólida. Ter fundamento é essencial para tudo o que se pretende construir; no marketing, assim como na vida, não existe crescimento sustentável sem base. A metáfora é antiga, mas absolutamente atual: construir sobre a rocha significa preparar-se para resistir quando o entorno parece ruir. É optar pela solidez em vez de atalhos, pela estrutura em vez de promessas fáceis, por algo que suporte crises, mudanças bruscas de mercado e períodos de incerteza.

Caro leitor, seja você uma pessoa física, uma instituição ou uma micro, pequena ou média empresa, se em algum momento precisou de marketing ou buscou soluções estratégicas, provavelmente foi bombardeado por respostas rápidas. Talvez, diariamente, lhe sejam ofertadas soluções como planos prontos, estratégias geradas por Inteligência Artificial em poucos cliques, fórmulas genéricas que prometem crescimento acelerado e cursos que juram revelar o caminho definitivo para o sucesso. O problema não está, em si, nessas ferramentas ou na tecnologia. A IA, por exemplo, não é vilã e tampouco um truque mágico; de fato, ela é poderosa e veio para ficar. O problema reside na forma como tudo isso costuma ser apresentado, consumido e praticado: sem critério, sem adaptação, sem pensamento estratégico e, sobretudo, sem processo de construção. Marketing não é “copiar e colar”. Marketing é edificação. E nenhuma estrutura se sustenta quando é feita sem alicerce.

Essa base, na metáfora, é a rocha, representando o conhecimento, a sabedoria, a experiência e as palavras de orientação. No marketing, ela atende pelos nomes de “fundamentos”, “método” e “pensamento estratégico”. São conceitos e estruturas desenvolvidos ao longo de décadas por autores e profissionais como Philip Kotler, Kevin L. Keller, Al Ries, Jack Trout, Seth Godin, Peter Drucker e Neil Patel, além de Robert Cialdini, Michael Porter e Jack Welch, entre tantos outros. Não se trata de teorias distantes da realidade, mas de modelos criados justamente para orientar decisões reais, aplicáveis ao dia a dia de negócios e profissionais que precisam gerar valor em cenários complexos. São esses fundamentos que sustentam os navios da publicidade, do desenvolvimento de produtos, do posicionamento de marca e da gestão quando o mar do marketing, do mercado e da geração de valor não está calmo.

Todo agente, público ou privado, enfrenta tempestades: queda de vendas, concorrência agressiva, crises de imagem, mudanças no comportamento do consumidor, instabilidade econômica e decisões urgentes sob pressão. Quando essas tempestades chegam, apenas quem construiu sobre uma base sólida permanece de pé. E essa construção exige esforço. Exige estudo, leitura, comparação de fontes, compreensão de mercado, entendimento profundo do público, testes, correções e evolução constante. Exige muito mais do que seguir a “tendência da semana” ou apertar um botão esperando um resultado automático. Talvez por isso tantos evitem esse caminho.

Vejo com frequência empresas, pressionadas pelo orçamento curto e pela urgência extrema, buscando o famoso “pulo do gato”. Às vezes, essa esperança é depositada na Inteligência Artificial; outras vezes, nas promessas irreais de mentores e vendedores de cursos que sequer precisam ser citados, pois todos sabem quem são. Pessoas que vendem sonhos, iludem multidões e oferecem atalhos que não levam a lugar algum. O mesmo ocorre com figuras públicas que, desejando promover sua imagem, acabam presas a fórmulas prontas que nada ensinam que sobreviva à primeira crise séria. Sem base, o pulo do gato, que deveria ser ágil e silencioso, vira o “pulo do elefante”: muito barulho, esforço hercúleo e pouquíssimo avanço real. Então fica assim: Enquanto algumas raposas, muito astutas, estão edificando sua casa na rocha, alguns elefantes andam pulando por aí! O elefante se diverte tentando pular e até pode parecer efetivo, mas creia, não é!

Crescimento não nasce do improviso; resultado não é fruto do acaso. Instituições que constroem seu marketing e sua comunicação sobre fundamentos sólidos conquistam algo raro: previsibilidade, consistência e sustentabilidade. Elas sabem por que fazem o que fazem, para quem fazem e como fazem. Não dependem de sorte, modismos ou promessas vazias. Dependem de método e visão estratégica.

Quem deseja crescer de verdade precisa resistir à tentação de beber apenas a “água engarrafada”, que é facilmente acessível, e ter coragem de buscar a própria fonte. Marketing não pode ser tratado como aposta; precisa ser estrutura. Precisa ser rocha. E, sim, construir sobre a rocha é mais lento, mais exigente e, muitas vezes, menos empolgante do que os números irreais prometidos por vendedores de ilusão.

É necessário ressaltar que os resultados iniciais podem parecer modestos, quase desanimadores, quando comparados às fantasias do sucesso instantâneo. Mas um pequeno avanço, firme e consistente, é infinitamente mais valioso do que correr uma maratona em alta velocidade apenas para se acidentar antes da linha de chegada. Construir sobre a rocha não é necessariamente fazer algo puramente belo, como um palácio ou uma mansão; é erguer uma fortificação capaz de resistir às intempéries do tempo e às crises inevitáveis.

Se puder, estude e adquira o conhecimento necessário para consolidar seu negócio. Mas, se isso não for possível, procure o aconselhamento de quem já o fez. E como saber se um consultor possui uma base sólida? Submeta-o a experiência real, oriunda dos grandes autores que, há décadas, moldam não apenas o que se estuda nas universidades, mas o que se aplica no dia a dia do mercado.

Por fim, se quiser saber mais sobre a relação entre Marketing e Inteligência Artificial, clique aqui e leia meu artigo sobre este assunto, que é a segunda parte da série com essa temática que se iniciou com este artigo.

Publicitário; Consultor de Estratégia, Imagem e Posicionamento. Gestor de Tecnologia da Informação e Comunicação. Apaixonado por Música, Filosofia e Fotojornalismo.