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Sequência: Evitando aberrações – Parte 2 de 3

Sequência: Evitando aberrações – Parte 2 de 3

Observação: Este artigo faz parte de uma sequência que se propõe a discutir em três partes a relação entre Administração de Marketing e Inteligência Artificial. Essa é a segunda parte. Recomenda-se a leitura em ordem para melhor compreensão, portanto, para ler a primeira parte, clique aqui.

Já o link para terceira parte será disponibilizado no final deste artigo.

Como todos sabemos, e como já comecei a pincelar em meu artigo anterior (link) a IA não é uma ferramenta capaz de agir sozinha substituindo a interação humana.
Na matéria citada, utilizei como desenho de capa um ilustração gerada por IA, que possui alguns defeitos. Deixei propositalmente a ilustração defeituosa para servir como base explicativa deste post. Caso você não se recorde da imagem, deixo-a abaixo.

Observem, queridos leitores, que, na versão do desenho que deixei ilustrando o texto, a raposa aparece com o mesmo tamanho do elefante. Você já viu alguma vez na vida uma raposa do tamanho de um elefante? Esse tipo de “raposa gigante” não existe, e ainda por cima, tornaria impossível que ela entrasse na casa que está construindo. Este é um erro da IA, que achei que seria interessante manter propositalmente como capa do artigo anterior, pensando em utiliza-lo como um dos argumentos práticos do porque a IA não é uma ferramenta capaz de agir sozinha substituindo a interação humana.
Mas vamos lá… Permita-me explicar como eu cheguei a esta ilustração e qual teria sido a correta.

Inicialmente, pedi à IA que criasse um desenho de dois elefantes, um deles construindo uma casinha e outro se equilibrando em uma perna só (desenho 1). Ela fez exatamente isso. Em seguida, no segundo desenho, solicitei a substituição do elefante construtor por uma raposa, o que também foi atendido, porém, a IA gerou a raposa com o mesmo porte do elefante (desenho 2). Este é o desenho que eu usei na capa, mas raposas gigantes não existem. Foi necessário que eu explicasse explicitamente que elefantes e raposas não possuem as mesmas proporções para que então ela gerasse um desenho que se aproximasse da realidade (desenho 3). O desenho final seria o n°3; era o que eu queria desde o principio, mas achei que a segunda versão (defeituosa) ilustraria mais do que o artigo anterior, também a tese desta segunda parte da sequência. O comparativo das imagens pode ser feito abaixo!


É bastante fácil fazer essa comparação e perceber as falhas quando se trata de um desenho em que as proporções de um elefante e de uma raposa são conhecidas e imediatamente identificáveis à vista. Mas como fazer o mesmo quando não se sabe qual é, de fato, o resultado correto em marketing; resultados que podem impactar diretamente a sua empresa e a sua vida?
Como ajustar a rota, caso você se perca, se não conhece o parâmetro, a referência, ou o que realmente deveria estar sendo alcançado?

É difícil, mas problema pode ir além da simples criação de aberrações. Comparando as ilustrações lado a lado, nota-se que alguns detalhes do desenho não permaneceram entre uma versão e outra das imagens. Automaticamente, a IA perdeu informações (como por exemplo a caixa de ferramentas que desapareceu do desenho 1 para o desenho 2), bem como alterou outras (a cor das gotas de suor do elefante que mudaram ao longo dos três desenhos). Olhos não treinados ou que não tenham sido avisados poderiam sequer perceber que estas informações desapareceram ou foram modificadas. Observe abaixo, atentamente, o pequeno “joguinho de seis erros”.

Como vimos nos desenhos, que fique claro que esse processo de perda ou adulteração de informações vale para qualquer tarefa que tenha sido executada por IA. Por isso, é necessário que exista um verificador humano, que saiba o que está vendo e possa analisar se aqueles dados correspondem a realidade esperada, se o resultado entregue é real, ou se é exagerado, minimizado ou ainda faltando detalhes.
Aí retornamos a necessidade de se ter uma base, como apresentado na primeira parte desta sequência. Esse exemplo simples também deixa claro que a IA precisa ser alimentada com dados precisos e com conhecimento de contexto, proporção, intenção e realidade. A inteligência artificial executa comandos, cruza padrões e gera resultados estatísticos, mas não compreende o mundo como nós compreendemos. Ela não “entende” que uma raposa não pode ter o tamanho de um elefante; ela apenas responde de forma literal ao pedido feito.
Quem entende o problema é o ser humano; quem identifica o erro é o ser humano; e quem ajusta o caminho, refina o comando e direciona a estratégia também é o ser humano!
A IA não erra sozinha, ela entrega quase exatamente o nível de clareza que recebe (quase, porque ainda assim pode perder dados entre um prompt e o outro). Quanto mais superficial o comando, mais superficial será o resultado. É equivalente: quanto mais estratégico, contextualizado e consciente for o input, mais próximo do objetivo será o output.
No marketing, a lógica é a mesma. Ferramentas não pensam, mas estratégias, sim. A IA acelera processos, amplia possibilidades e otimiza tempo, mas não substitui visão, repertório, leitura de cenário e tomada de decisão.
Construir marketing com IA sem base é como tentar pular em um pé só sendo um elefante: faz barulho, chama atenção, mas não sai do lugar. Já construir com fundamento, método e inteligência humana é como edificar uma casa sobre a rocha sólida, coerente e sustentável.
A IA é poderosa, mas ainda precisa de alguém que saiba exatamente onde quer chegar.

Encerrarei este assunto no próximo artigo, que também servirá como encerramento para essa sequencia. Para ler a parte três, clique aqui.

Publicitário; Consultor de Estratégia, Imagem e Posicionamento. Gestor de Tecnologia da Informação e Comunicação. Apaixonado por Música, Filosofia e Fotojornalismo.