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Como livros podem te ajudar nas eleições

Como livros podem te ajudar nas eleições

Não há um número exato sobre quantas pessoas conseguem passar das primeiras páginas de um livro, pois a taxa de desistência varia muito. Ainda assim, sabemos que são poucas. A título de conhecimento, um estudo da empresa WordsRated, de 2022, revelou que quase 50% dos adultos americanos não terminaram de ler um único livro inteiro no ano anterior, em 2021. É um dado relevante. Já no Brasil, a pesquisa Retratos da Leitura, de 2024, do Instituto Pró-Livro, apontou que 53% dos brasileiros não leram sequer parte de um livro nos três meses anteriores ao levantamento, revelando uma alta taxa de não leitores e de pessoas que nem chegam a iniciar uma leitura.

A mesma pesquisa indica a “falta de tempo” como a principal justificativa para o declínio do hábito de ler. Escritores costumam dizer que muitos livros são abandonados porque a empolgação inicial desaparece ou porque a história não prende logo de início. É certo que a leitura quase sempre exige atenção, ainda mais quando se trata de livros técnicos. Mas também é verdade que a maioria das pessoas prefere gastar o seu precioso tempo com redes sociais, séries e outras formas de entretenimento. Isso levanta a questão de saber se a “falta de tempo” é realmente uma resposta válida ou apenas uma “desculpinha”…

Seja lá o que for, isso é ainda mais evidente no meio político. É fácil notar que a maioria dos políticos não investe tempo em leitura. E isso não é generalização. Alguns, além de não lerem, desencorajam que suas equipes o façam. Ainda hoje repercute um caso em que um alto representante do sistema democrático-republicano criticou um de seus colaboradores que, por sinal, também ocupa um dos cargos mais importantes do governo e exerce função fundamental para a economia do país por dedicar tempo demais aos livros e de menos à articulação política. A fala foi amplamente condenada. E com justiça!

Estou escrevendo sobre isso porque, nestes tempos de campanha, li a respeito do grande presidente americano Ronald Reagan. Em março de 1981, a Washington Journalism Review publicou um perfil sobre os hábitos de leitura do então recém-empossado presidente. Segundo a reportagem, Reagan era um leitor voraz de jornais e revistas. Pedia o jornal local sempre que a comitiva parava em algum lugar e o lia “do início ao fim”. Entre suas publicações favoritas estavam revistas conservadoras, como Human Events, National Review e Commentary, além de veículos de economia, como Business Week, Forbes e The Wall Street Journal. Reagan também lia os quadrinhos e as colunas de horóscopo, sinal de que sua curiosidade não se limitava aos temas “sérios”.

O caso mais revelador da reportagem, porém, diz respeito à forma como a leitura influenciava diretamente suas decisões de governo. Ainda como pré-candidato, seu assessor de política externa, Richard V. Allen, mostrou a Reagan um artigo da cientista política Jeane Kirkpatrick, publicado na revista Commentary, em novembro de 1979, criticando a política externa do governo Carter em relação aos direitos humanos. Reagan gostou tanto do texto que convidou a autora para integrar seu comitê de assessoria em política externa e, depois de eleito, nomeou-a embaixadora dos Estados Unidos na ONU.

Que diferença em relação aos nossos políticos atuais, que não gostam de livros, hein? Mas não são apenas os políticos em exercício que evitam ler, os candidatos também. São muito diferentes do candidato Reagan!

Uma pena, pois, com os livros, você pode aprender desde estratégias de campanha até conhecimentos gerais que o salvarão de muitas gafes e lhe darão repertório para discursar, planejar um mandato ou escrever propostas de maneira mais persuasiva. Como o livro é o pensamento de um escritor transformado em palavras, é possível, por meio dele, entrar até mesmo no mais íntimo da mente de um homem e conhecer profundamente a alma humana.

A maioria dos candidatos, porém, não quer saber de leitura. Dizem querer agir.

Quando trabalham em equipe, muitos exigem “trabalho prático” e resultados “mensuráveis”, desvalorizando o estudo e, em alguns casos, chegando a pedir que seus publicitários e marqueteiros, supostamente responsáveis pelo sucesso da campanha, leiam menos. Seja com livros ou sem eles, é certo que não se pode fazer uma campanha eleitoral sem conhecimento, sem saber qual é o cenário, quem são os concorrentes, quais são suas limitações, quais são seus pontos fortes e quais vantagens temos sobre eles. Dessa maneira, não é possível pensar em estratégias. E ninguém deveria pensar em estratégias sem considerar os possíveis erros que estão pelo caminho.

Confiar apenas em estratégias é arriscado. O sucesso depende de uma série de fatores instáveis, voláteis, muitas vezes fora do nosso controle. Um efeito dominó pode derrubar tudo em poucas horas. A mensagem mais bem construída pode ser mal compreendida, e todo o investimento pode se transformar apenas em um gasto sem retorno. Você pode se esforçar para fazer sua mensagem chegar às pessoas, mas não há como garantir que elas estejam ouvindo. Muito menos que queiram ouvir.

O conhecimento, porém, sobretudo aquele adquirido pela leitura, permite comprar a experiência de outros candidatos e políticos, bem-sucedidos ou fracassados. Permite saber o que deu certo e, principalmente, o que deu errado, aprendendo com os erros alheios para não repeti-los. Se o sucesso depende de muitos fatores e os acertos variam de caso para caso, um erro continua sendo um erro, quase sempre sem muita variação. A derrota, curiosamente, segue padrões quase fixos. Erros que se repetem em campanha após campanha, cidade após cidade, ano após ano, cometidos como se fossem novidade.

Tenho a convicção de que é possível especular o fracasso com grande probabilidade de acerto, embora o mesmo não se possa dizer do sucesso. Concluo, portanto, esta breve reflexão sobre Reagan, um leitor voraz, e sobre a importância da leitura em uma campanha, convidando você a conhecer também o meu novo livro: Parabéns, Perdedor – Um Guia Prático Para Você Perder as Eleições!

Na próxima postagem farei o anúncio oficial da obra, que em breve estará disponível na Amazon.

À primeira vista, ela parece caminhar na contramão da maior parte da literatura sobre marketing político, que costuma encher as prateleiras com guias do sucesso e manuais de como vencer uma eleição. O meu livro, ao contrário, é um manual do fracasso; uma pesquisa sobre aquilo que costuma dar errado e como evitar que isso aconteça com você.

Para escrevê-lo, procurei analisar dezenas de campanhas fracassadas, ler muitos livros sobre o assunto, estudar análises de derrotas, pesquisar jornais e documentos em acervos, conversar com candidatos que estavam ao meu alcance e ouvir estrategistas. Estudei a história e registrei o que descobri da maneira mais acessível e interessante que encontrei: a ironia. Quem sabe, estimado leitor, ao lê-lo, você não começará a perceber que o fracasso tem um roteiro definido e que, ao reconhecê-lo a tempo, consiga evitá-lo em sua própria campanha?

Os erros que destroem o sonho de se eleger são tão repetitivos e tão comuns à maioria dos candidatos que se pode dizer que constituem padrões, verdadeiros “erros quase universais”. Alguns são tão simples que, à primeira vista, parecem bobagens. Talvez você até diga: “Isso eu já sei. É óbvio…” Mas não foi tão óbvio para quem os cometeu. Acredite: alguns desses equívocos conseguem derrubar fileiras inteiras de acertos e, por consequência, campanhas completas.

Como já disseram, com sabedoria, sobre a importância de se estudar a história: “Um povo que não conhece seu passado está condenado a repeti-lo.” (George Santayana, 1863 – 1952). Eu, por minha vez, digo: um candidato que não conhece os caminhos do fracasso, se não tiver sorte, também está fadado a repetir os erros do passado, sejam os seus próprios ou de outros. Errar é muito mais fácil do que acertar, pois é possível falhar de muitas maneiras. Se você não souber previamente o que é um erro ou não, terá de descobrir na prática, com o custo da sua própria candidatura.

Publicitário; Consultor de Estratégia, Imagem e Posicionamento. Apaixonado por Música, Filosofia e Fotojornalismo.