Em que mundo do Marketing você vive?
Se você é publicitário, profissional de marketing, personalidade pública, empreendedor, empresa ou instituição, esta pergunta é para você: “Em que mundo você vive?”
A expressão costuma ser usada como um choque de realidade. E, no contexto atual, onde tudo é interconectado e todos querem aparecer, ela ganha ainda mais força. Por isso, proponho uma variação necessária:
Em que mundo do Marketing você está vivendo?
Você ainda vive no mundo dos anúncios intrusivos, das fórmulas prontas, genéricas, repetitivas e cada vez mais irrelevantes? Ou já migrou para o mundo das conexões reais, das estratégias planejadas com inteligência e do valor genuíno entregue ao público?
Com que facilidade você acredita em gurus e coaches que prometem fama, dinheiro e sucesso no “marketing digital”, sem esforço, sem estudo; apenas “impulsionando” posts e usando meia dúzia de aplicativos?
O que mais vejo são aventureiros, que na verdade precisam urgentemente de um bom trabalho de marketing, se autointitulando especialistas: pessoas que dominam superficialmente ferramentas como CapCut, Canva, Tráfego Pago ou Google Meu Negócio, e por isso se dizem “marqueteiros”.
Também vejo empresários afirmando:
“Não preciso de marketing. Já sou conhecido o suficiente.”
Mas ser conhecido não é ser valorizado. Ser lembrado não é o mesmo que ser desejado.
Ou ainda aqueles empreendedores que exclamam com convicção: “Consigo fazer sozinho. Não preciso fazer faculdade para ser marqueteiro”. E até concordo, você não precisa de faculdade, mas só conseguirá fazer um bom marketing se estudar, se ler os livros da área, analisar os estudos de caso e se dedicar a compreender o que realmente funciona e o que não dá certo, e pacientemente aguentar uma ladainha (útil, porém cansativa de se estudar e lenta para absorver) de conceitos.
A pergunta segue válida para todos: Em que mundo do marketing você vive?
Você realmente sabe o que é Marketing?
Marketing não é apenas vender.
Marketing não é apenas lucrar.
Marketing não é apenas se tornar conhecido.
Esses elementos podem ser consequências, mas não são o cerne do marketing. As vendas e o lucro nascem de um bom trabalho de marketing, mas não são finalidades. Tornar-se conhecido, embora deva ser ótimo ser famoso, também não é um objetivo, pois na maioria dos casos, o marketing não procurará te tornar a próxima subcelebridade, mas fortalecer sua imagem, marca, produto…
Marketing também não é ferramenta. CapCut, Canva, tráfego pago, SEO, impulsionamento, IA, são apenas meios, instrumentos. Da mesma forma que saber usar uma chave sextavada não faz de alguém um mecânico, dominar essas ferramentas não transforma ninguém em estrategista.
Marketing é uma ciência humana, tal como a estratégia. Como bem define Philip Kotler, o maior especialista na área,
Marketing é a ciência e a arte de explorar, criar e entregar valor para satisfazer as necessidades de um público-alvo de maneira lucrativa.
Ou seja, marketing é gerar valor. E para gerar valor REAL, é preciso entender o que “valor” significa.
O que é valor, afinal?
Valor é o equilíbrio entre o que se oferece e o que o público percebe como relevante, útil, significativo. Gerar valor é entregar algo que faz sentido para alguém, em determinado contexto, seja ele emocional, funcional, social ou simbólico. É isso que diferencia uma marca comum de uma marca desejada.
Os mundos do marketing
Ao compreender o que é marketing de fato, deixando a falsa realidade criada pela maioria dos “gurus, professores e estrategistas de marketing digital” começamos a enxergar que existem vários “mundos”, ou melhor, escolas e estágios de maturidade do marketing:
O Marketing da Interrupção: Baseado em propaganda agressiva, slogans forçados, gritos visuais e estímulos constantes. É o marketing que fala para o público, mas raramente ouve. É o velho marketing 1.0, centrado no produto.
O Marketing Técnico e Automatizado: Guiado por funis, métricas, testes A/B, leads, automações e algoritmos. Fala com eficiência, mas muitas vezes sem emoção. É necessário, mas frio. É o mundo do marketing 2.0 e 4.0, centrado na tecnologia.
O Marketing de Propósito e Significado: Movido por causas, valores e posicionamento. Cria comunidades, emociona, humaniza. Mas corre o risco de se tornar performático quando o discurso não é coerente com a prática. É o 3.0, o marketing centrado no ser humano.
O Marketing Integrado, Estratégico e Humano (H2H): Une o que há de melhor em todos os mundos anteriores. Tem dados, mas não ignora as pessoas. Tem tecnologia, mas não abre mão da empatia. Tem propósito, mas sem esquecer da performance. Esse é o marketing que Kotler chama de Marketing H2H: Human to Human.
O que é o Marketing H2H?
O Marketing H2H é uma abordagem que entende que, no fim das contas, não importa se estamos lidando com B2C (empresa para consumidor) ou B2B (empresa para empresa), sempre há pessoas de verdade dos dois lados.
E pessoas não querem ser manipuladas, querem ser compreendidas.
“As pessoas não compram produtos. Compram significados, experiências, sentimentos e resoluções de problemas.” Philip Kotler.
Talvez, no fim das contas, o que Kotler chama de Marketing H2H não seja um novo conceito humanista, mas uma nova forma de se classificar o que de fato é marketing. Marketing trata-se de escuta, empatia, respeito ao tempo e à inteligência do público. É sobre gerar valor para alguém, não apenas de alguém.
E mais uma vez, o que é gerar valor?
É oferecer algo que realmente faça sentido para a vida das pessoas. É entregar uma solução que resolva um problema, satisfaça um desejo ou melhore a experiência de alguém de forma clara, útil e relevante. Quando uma marca, produto ou serviço facilita a vida do público; emociona, representa seus valores ou entrega mais do que o esperado, ela está gerando valor. Não se trata apenas do que é vendido, mas de como isso é percebido e vivido por quem consome. Valor, portanto, não é o que a empresa diz que oferece, mas aquilo que o cliente sente que recebeu.
O verdadeiro mundo do marketing é o que gera valor.
Se você está aprendendo, estude os grandes mestres: Kotler, Ries & Trout, Drucker, Levitt, Keller, Godin. Se você é profissional, busque coerência entre a teoria e a prática.
Se você precisa de marketing, não queira “resultados rápidos”, mas busque um profissional que te ajudará a gerar valor.
O marketing real não é um mundo à parte da realidade, ele é parte da vida.
Mas e você? Em que mundo do marketing está vivendo? E em qual mundo você quer viver?
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