×

Sequência: Onde o método governa a maquina – Parte final

Sequência: Onde o método governa a maquina – Parte final

Observação: Este artigo é a parte final de uma sequência que se propõe a discutir em três partes a relação entre Administração de Marketing e Inteligência Artificial. Essa é a terceira e última parte. Recomenda-se a leitura em ordem para melhor compreensão, portanto, para ler a primeira parte, clique aqui ou caso queira ler a segunda parte, clique aqui.

O marketing costuma transparecer uma simplicidade enganosa quando observado apenas pela superfície de seus resultados imediatos, pois assim como é instintivo reconhecer as proporções corretas entre um elefante e uma raposa em um desenho bem executado, a ilusão de clareza no mundo dos negócios faz parecer que o sucesso é fruto apenas de visibilidade. No entanto, diferentemente de uma ilustração onde as distorções são evidentes aos olhos, no marketing estratégico os parâmetros de erro nem sempre estão visíveis no curto prazo, sendo justamente nessa penumbra interpretativa que muitas instituições acabam perdendo o seu norte e seus recursos.

Quando analisamos a construção de uma presença de mercado, a pergunta fundamental que deve guiar cada investimento raramente é formulada com a devida profundidade, pois não se trata apenas de buscar o aumento das vendas ou a frequência robótica de postagens em redes sociais, mas sim de compreender se cada movimento está alinhado com um objetivo que seja verdadeiramente mensurável e coerente com a realidade do negócio. Sem o estabelecimento prévio desse critério de sucesso, qualquer métrica de vaidade pode ser interpretada como um resultado positivo enquanto o capital da empresa se esvai em ações sem propósito, gerando um ciclo de desgaste que as micro e pequenas empresas sentem de forma ainda mais severa.

O erro mais persistente nas estratégias contemporâneas não reside necessariamente na falta de ferramentas modernas ou no uso da Inteligência Artificial, mas sim na ausência crônica de uma base que sustente a execução, pois define-se o canal de comunicação antes mesmo de se compreender o objetivo da mensagem e analisa-se dados superficiais enquanto as decisões vitais continuam sendo tomadas no escuro. É neste cenário que o marketing deixa de ser um instrumento de crescimento estratégico para se transformar em um custo recorrente e pesado, assemelhando-se ao esforço hercúleo do elefante que tenta pular sem sair do lugar, enquanto a raposa estrategista entende que o movimento sem direção é apenas um prelúdio para a exaustão.

O marketing de verdade deve ser edificado com a paciência de quem constrói uma fortificação sobre a rocha sólida, começando obrigatoriamente pela definição de critérios claros que determinem o que realmente significa o sucesso para aquela organização específica. Antes de falarmos em automações complexas ou em algoritmos de última geração, é preciso que o gestor saiba quais números realmente impactam o seu caixa e que tipo de cliente ele deseja não apenas atrair, mas manter em sua base de forma sustentável, pois sem essas respostas qualquer estratégia se torna frágil e vulnerável às tempestades do mercado.

Dessa forma, o marketing deixa de ser tratado como uma sucessão de tentativas desesperadas e passa a ser compreendido como um método de precisão onde os ajustes de rota deixam de ser apostas incertas para se tornarem decisões conscientes e fundamentadas. Para o empreendedor que busca longevidade, o critério deve sempre preceder a execução, transformando a tecnologia e a Inteligência Artificial em aliadas poderosas que, sob a mão firme de um arquiteto que conhece o solo onde pisa, garantem que a estrutura final seja não apenas bela aos olhos do público, mas inabalável diante dos desafios do tempo.

Publicitário; Consultor de Estratégia, Imagem e Posicionamento. Gestor de Tecnologia da Informação e Comunicação. Apaixonado por Música, Filosofia e Fotojornalismo.